30 setembro 2026

China impõe sobretaxa de 55% à carne bovina brasileira após cota ser atingida

Brasil alcançou limite de 1,1 milhão de toneladas e exportações que ultrapassarem a cota passam a enfrentar uma tarifa adicional de 55%, além dos 12% já cobrados

O Brasil atingiu a cota anual de exportação de carne bovina estabelecida pela China para 2026. Com isso, os carregamentos brasileiros que ultrapassarem o limite determinado por Pequim passarão a sofrer uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12%.

A medida é considerada um novo desafio para o setor brasileiro de carne bovina, principalmente porque a China é o principal mercado para a proteína produzida no país.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o limite estabelecido pela China é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas em 2026. O teto representa cerca de 65% do volume exportado pelo Brasil para o mercado chinês em 2025.

Taxa pode chegar a 67%

O principal impacto está justamente na elevada tributação. Com a nova sobretaxa de 55%, somada à tarifa de importação de 12%, a carne brasileira que ficar fora da cota poderá enfrentar uma carga tarifária de aproximadamente 67%.

A medida torna as exportações para o mercado chinês significativamente mais caras e aumenta a pressão sobre frigoríficos e produtores brasileiros.

A China respondeu por cerca de 48% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil em 2025, com aproximadamente 1,68 milhão de toneladas, movimentando cerca de US$ 8,9 bilhões, segundo os dados citados pela Folha.

Governo busca alternativas

Diante do esgotamento da cota, o governo brasileiro tenta encontrar alternativas para reduzir os impactos sobre o setor.

Uma das possibilidades é utilizar parte das cotas que eventualmente não sejam utilizadas por outros países. O Brasil busca, por exemplo, autorização para utilizar o excedente da cota do Uruguai, mas a decisão depende das autoridades chinesas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou anteriormente que o Uruguai havia concordado em apresentar o pedido a Pequim. A decisão final, entretanto, cabe ao governo chinês.

Frigoríficos reduzem produção

O setor já vinha se preparando para o esgotamento da cota chinesa. Segundo a Folha de S.Paulo, alguns frigoríficos adotaram medidas como férias coletivas e paralisações temporárias de unidades para ajustar a produção à nova realidade do mercado.

A preocupação aumenta porque a salvaguarda chinesa deverá permanecer em vigor até 2028.

Brasil procura novos mercados

Com a maior dificuldade de acesso ao mercado chinês, o governo e o setor privado brasileiro passaram a buscar compradores alternativos.

Entre os mercados considerados estão os Estados Unidos, a Coreia do Sul e a Indonésia.

A Indonésia, inclusive, ampliou recentemente o número de frigoríficos brasileiros autorizados a exportar para o país. Segundo informações citadas pela Folha, 21 novas plantas foram habilitadas, elevando para 73 o número de unidades brasileiras autorizadas a atender ao mercado indonésio.

A estratégia é tentar compensar parte da redução das vendas para a China e diminuir a dependência de um único grande comprador.

China busca diversificar fornecedores

A decisão chinesa também faz parte de uma estratégia mais ampla de Pequim para diversificar seus fornecedores de alimentos.

O Brasil é atualmente um dos principais fornecedores de produtos considerados estratégicos para a segurança alimentar chinesa, como carne bovina e soja. A China tem sinalizado que pretende reduzir a dependência de poucos países e ampliar as opções de fornecimento.

Para o setor pecuário brasileiro, o novo cenário aumenta a necessidade de conquistar outros mercados consumidores.

Fonte: Folha de S.Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário