Apesar do alerta, a gestão estadual afirma que não há risco de interrupção do abastecimento até o fim do ano e que outros mananciais têm água suficiente para atender os municípios, caso seja necessário.
A lista dos municípios afetados conta com Currais Novos, Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Ipueira, São José do Seridó e Ouro Branco. A avaliação considera os volumes dos reservatórios que atualmente atendem essas cidades e aponta a possibilidade de esgotamento dos mananciais até dezembro. Em Currais Novos, por exemplo, o Açude Dourado, com capacidade para pouco mais de 10 milhões de metros cúbicos, está com menos de 1% de água armazenada, com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) passando a contar apenas com o Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, localizado em Acari, para atender 100% dos domicílios no município currais-novense. Além do Açude Dourado, em Gargalheiras, também constam no relatório o Açude Mamão, responsável pelo abastecimento de Equador; o Boqueirão, que atende Parelhas, Jardim do Seridó e Carnaúba dos Dantas; o Santo Antônio, em São João do Sabugi; e o Martelo, em Ipueira.
O alerta consta em documento obtido pela TRIBUNA DO NORTE, elaborado pela Caern. Segundo a SEMARH, o abastecimento nos municípios citados não chega a estar ameaçado até o fim do ano. “É uma avaliação preliminar, necessária para o trabalho que fazemos que não é só executivo, mas também preventivo. A partir disso sabemos quais medidas tomar e nos antecipar. O trabalho de gestão de águas projeta ações para seis, sete meses na frente. Para esse ano, o abastecimento dos municípios está garantido, mesmo que não chova nos próximos meses”, afirma o auxiliar.
De acordo com o documento, a situação de Ouro Branco e São João do Sabugi é apontada como mais delicada pela Caern, já que os dois municípios “não dispõem de um sistema de abastecimento emergencial”. Atualmente, segundo a estatal, o abastecimento de Ouro Branco está sendo feito por poços rasos. Segundo a SEMARH, de junho de 2025 até agosto de 2026 foram perfurados 31 poços no município.
O monitoramento dos reservatórios potiguares é feito diariamente pelo Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), orientando as decisões sobre o abastecimento. A utilização de poços, como ocorre em Ouro Branco, é uma das alternativas em caso de baixo nível dos reservatórios utilizados. Outras ações que são empregadas são o transporte de água através de carros-pipa e a utilização de adutoras já existentes para levar água de uma região para outra.
Fiscalização de irregularidades é reforçada
A Caern mantém um programa permanente de fiscalização de irregularidades na rede de água para monitorar e combater o uso clandestino do sistema de abastecimento. A ação ganha ainda mais importância durante os períodos de estiagem, quando a disponibilidade de água é menor e qualquer desvio irregular pode comprometer o fornecimento para cidades e comunidades atendidas.
No Seridó, as fiscalizações são realizadas pelas equipes da Caern e podem resultar na retirada da tubulação clandestina e na aplicação de multa aos responsáveis. No início do mês, uma ligação clandestina, conhecida como “gato”, foi identificada em tubulação da Adutora Serra de Santana. A irregularidade impactou diretamente o abastecimento das cidades atendidas pela Adutora Serra de Santana: Florânia, Tenente Laurentino Cruz, São Vicente, Bodó e Lagoa Nova, além da zona rural desses municípios.
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Fonte > Portal da Tribuna ddo Norte

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