Petista busca ampliar comparecimento de idosos e eleitores das periferias; candidato do PL mira eleitores de outros nomes da direita
Na reta final para o primeiro turno das eleições, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços em estratégias diferentes para os últimos dias antes da votação.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, Lula busca reduzir a abstenção, principalmente entre os eleitores com 70 anos ou mais, enquanto Flávio Bolsonaro pretende aproveitar o debate da TV Globo para tentar atrair eleitores indecisos e apoiadores de outros candidatos da direita.
Uma das preocupações da campanha petista é justamente o comparecimento dos eleitores acima de 70 anos, faixa em que o voto não é obrigatório. A avaliação da equipe de Lula é que esse grupo pode ter peso na disputa porque, de acordo com pesquisas citadas pela reportagem, apresenta maior apoio ao presidente, mas também registra índices elevados de abstenção.
Do outro lado, auxiliares de Flávio Bolsonaro avaliam que a abstenção pode afetar especialmente Lula, já que idosos e pessoas de menor renda tendem a enfrentar mais dificuldades para chegar aos locais de votação. Esses segmentos também são apontados como grupos nos quais o petista apresenta vantagem.
Pesquisas mostram diferença entre faixas etárias
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostra Lula com 40% das intenções de voto entre eleitores com 60 anos ou mais, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 32%. No eleitorado geral, os percentuais são de 39% e 34%, respectivamente.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais no resultado geral e de cinco pontos no recorte por faixa etária.
Dados agregados de pesquisas Datafolha realizadas em agosto e setembro também apontavam maior preferência por Lula entre eleitores com mais de 70 anos.
A questão para a campanha petista é que justamente essa parcela do eleitorado costuma apresentar uma taxa maior de ausência nas urnas.
Abstenção entre idosos é historicamente maior
Nas eleições de 2022, 20,3% dos eleitores não compareceram às urnas. Entre aqueles com idade entre 70 e 74 anos, porém, a abstenção chegou a 39%, aumentando ainda mais nas faixas etárias seguintes.
Para tentar estimular a participação desse público, Lula tem feito apelos durante seus discursos para que os eleitores idosos compareçam às urnas no domingo (4).
A campanha também aposta na possibilidade de a votação ser utilizada como comprovação de vida para beneficiários do INSS, mecanismo previsto desde uma portaria de 2022.
Enquanto Lula concentra parte de seus esforços na mobilização de sua base, Flávio Bolsonaro deverá utilizar o debate da TV Globo como uma oportunidade para buscar eleitores de outros candidatos da direita, incluindo apoiadores de Augusto Cury, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
A estratégia é baseada no chamado voto útil, diante da proximidade do primeiro turno e da disputa entre os principais candidatos.
A reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 30 de setembro, destaca que as duas campanhas chegam aos últimos dias tentando ampliar a participação de seus respectivos eleitorados e conquistar votos ainda em disputa.
Fonte: Folha de S.Paulo
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