O advogado eleitoral Felipe Cortez defendeu mudanças nas regras que disciplinam as pesquisas eleitorais no Brasil e criticou o que classificou como um “comércio de pesquisa” que se intensifica a cada período eleitoral. Em entrevista à rádio Mix FM nesta sexta-feira 29, o especialista afirmou que a proliferação de institutos e a existência de levantamentos supostamente direcionados têm contribuído para o descrédito de um instrumento que considera importante para a democracia.
“Há muitos anos, nós temos, na verdade, um comércio de pesquisa. (Surgem) Institutos dos quais você nunca ouviu falar e na proximidade do pleito eleitoral. É a correria da pesquisa. É um absurdo”, afirmou Felipe.
Ao longo da entrevista, Felipe Cortez argumentou que parte dos problemas não está apenas nas perguntas formuladas, mas também na forma como as amostras são construídas. Segundo ele, determinadas escolhas metodológicas podem influenciar os resultados sem necessariamente deixar evidências claras de irregularidade.
“É possível você mandar o pesquisador, por exemplo, para uma rua que ele sabe que tem direcionamento para algum candidato. Essa delicadeza é de uma sutilidade que você não consegue provar. Quando o resultado é divulgado, está feito o estrago”, afirmou.
O advogado ressaltou que, por essa razão, costuma recorrer a pareceres de estatísticos antes de contestar pesquisas judicialmente. Para ele, a fiscalização das metodologias deveria ser reforçada pela própria Justiça Eleitoral.
Segundo ele, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) poderia contar com estatísticos responsáveis por examinar previamente amostras, critérios de seleção e outros aspectos técnicos dos levantamentos, reduzindo a necessidade de judicializações posteriores. O advogado argumentou que, atualmente, muitas impugnações dependem da contratação de especialistas pelas partes interessadas para identificar possíveis inconsistências.
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