04 julho 2026

Pacote de medidas do governo Lula em ano eleitoral já mobiliza mais de R$ 180 bilhões, aponta levantamento da Folha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
durante lançamento do Desenrola Adimplentes,
na última segunda-feira (29)
 - Evaristo Sa - 29.jun.2026/AFP
O pacote de medidas anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo deste ano já mobiliza mais de R$ 180 bilhões em recursos e deve produzir impactos na economia e nas contas públicas que poderão se estender para o próximo mandato presidencial, a partir de 2027. A informação é de um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

Nas últimas semanas, o governo federal intensificou o ritmo de anúncios de programas e inaugurações. A aceleração ocorre antes do início do chamado defeso eleitoral, período que começou neste sábado (4), quando passam a valer as restrições impostas pela legislação eleitoral.

Durante os três meses que antecedem as eleições, o governo fica impedido de promover eventos oficiais para anunciar programas, realizar inaugurações ou promover campanhas institucionais de divulgação.

De acordo com a Folha de S.Paulo, as medidas anunciadas têm como principal foco os brasileiros de renda intermediária, faixa que representa cerca de um terço do eleitorado. Segundo pesquisas do Datafolha citadas pelo jornal, é justamente nesse segmento que o presidente Lula enfrenta maior resistência.

Ainda conforme o levantamento, Lula aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário geral das intenções de voto. Entretanto, entre os eleitores com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos — aproximadamente entre R$ 3,2 mil e R$ 8,1 mil por mês — o senador apresenta desempenho mais favorável.

O levantamento realizado pela Folha de S.Paulo reúne 16 medidas anunciadas pelo governo federal e foi elaborado com base na avaliação de economistas e especialistas em contas públicas. No início de maio, o conjunto dessas iniciativas envolvia cerca de R$ 144 bilhões. Com os anúncios feitos durante o mês de junho, o valor ultrapassou R$ 180 bilhões, evidenciando a intensificação das ações do governo antes do início das restrições previstas pelo calendário eleitoral.

Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o número dois do Ministério da Fazenda também afirmou que os gastos anunciados não deverão comprometer o trabalho do Banco Central no combate à inflação.



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