O Partido Liberal (PL) protocolou nesta terça-feira (30) uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover discriminação e discurso de ódio contra a população de Santa Catarina durante um evento realizado no estado na última semana.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o governo federal rejeita as acusações apresentadas pelo partido e afirma que o presidente defende a igualdade racial e respeita a diversidade da população brasileira.
Durante visita a um estaleiro em Itajaí (SC), onde participou de uma agenda relacionada à construção de embarcações para a Petrobras, Lula afirmou que não deixaria de visitar o estado, apesar de Jair Bolsonaro (PL) ter obtido quase 70% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Na ocasião, o presidente fez um discurso em defesa da igualdade e contra a discriminação.
"Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas pela síndrome de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre", afirmou.
Em outro trecho do discurso, Lula criticou qualquer ideia de superioridade racial.
"Não tem porque um cara que é branco é melhor do que o que é negro, o cara que é nordestino é pior do que o do Sul do país. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou."
Na representação apresentada ao TSE, os advogados do PL sustentam que as declarações do presidente associam Santa Catarina ao racismo, à hegemonia branca e à intolerância. Segundo o partido, as falas possuem caráter discriminatório e configurariam discurso de ódio, podendo, inclusive, ser equiparadas ao crime de racismo.
Ainda de acordo com a Folha de S.Paulo, o governo federal contesta essa interpretação e afirma que o pronunciamento de Lula teve como objetivo defender a igualdade entre os brasileiros e combater qualquer forma de preconceito, sem direcionar ataques à população catarinense.
O caso será analisado pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelas partes.
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