Parlamentares que antes descartavam a possibilidade agora admitem que um processo contra ministros do Supremo pode avançar; presidente do Senado mantém oposição ao afastamento de Moraes
O senador Davi Alcolumbre e o
ministro Alexandre de Moraes,
durante evento em Brasília em 2025
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A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a produzir mudanças no discurso dentro do Senado. Parlamentares que anteriormente descartavam a possibilidade de impeachment de ministros da Corte agora reconhecem que um processo de afastamento pode, de fato, prosperar.
As informações são da Folha de S.Paulo, que aponta que aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acreditam que ele deverá aguardar o resultado das eleições antes de tomar uma decisão sobre um eventual processo de impeachment contra integrantes do Supremo.
Alcolumbre deve esperar o resultado das urnas
Segundo uma pessoa próxima ao presidente do Senado, Alcolumbre não pretende ceder, neste momento, à pressão de setores bolsonaristas pela destituição de ministros do STF.
A estratégia seria aguardar a definição de quem será o próximo presidente da República e conhecer a nova composição do Senado, que terá 54 novos senadores.
Somente depois das eleições, Alcolumbre avaliaria se existe ambiente político para abrir um processo de impeachment e contra qual ministro.
A questão também está diretamente relacionada à disputa pela presidência do Senado. A eleição para o comando da Casa ocorre tradicionalmente no primeiro dia de funcionamento do Congresso Nacional, em fevereiro.
Impeachment de Moraes pode virar moeda política
De acordo com a Folha de S.Paulo, Alcolumbre sabe que um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes é uma das principais reivindicações dos senadores bolsonaristas e poderia ser utilizado como elemento de negociação política na disputa pela presidência do Senado.
Por isso, o presidente da Casa precisaria avaliar qual será o tamanho da bancada alinhada ao bolsonarismo depois das eleições.
Apesar das pressões, políticos próximos a Alcolumbre afirmam que ele continua contrário ao impeachment de Moraes. O senador mantém uma relação de amizade com o ministro e sempre se posicionou contra seu afastamento.
No entanto, parte de seus aliados reconhece que a situação poderá mudar dependendo do resultado das urnas. Uma nova composição do Senado, com maior número de parlamentares favoráveis ao impeachment, poderia tornar mais difícil impedir a abertura de um processo.
Mendonça aumenta pressão sobre o Supremo
O impeachment de Alexandre de Moraes se tornou uma das principais bandeiras de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) depois da condenação do ex-presidente por tentativa de golpe.
Ainda segundo a Folha de S.Paulo, parlamentares de diferentes posições políticas avaliam que o ministro André Mendonça deu novo impulso à campanha de candidatos ao Senado que prometem avançar contra o Supremo.
A avaliação ocorre após Mendonça revelar, na terça-feira (1º), detalhes sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O episódio aumentou a pressão política sobre o STF e colocou o Senado no centro de uma disputa que poderá ganhar ainda mais força depois das eleições.
Fonte: Folha de S.Paulo
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