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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal - Pedro Ladeira/Folhapress |
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, documentos tornados públicos nesta terça-feira (1º), por decisão do ministro André Mendonça, indicam que Vorcaro teria mantido contato frequente com Moraes antes de sua prisão, ocorrida em novembro de 2025.
As mensagens mostram que, dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, Vorcaro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país. A investigação também aponta que o banqueiro solicitou encontros para tratar de assuntos relacionados aos negócios que posteriormente o colocaram no centro de uma investigação sobre uma suposta fraude bancária bilionária.
De acordo com a Folha de S.Paulo, os registros indicam que Vorcaro e Moraes se encontraram pelo menos seis vezes.
Outro ponto revelado pela investigação envolve um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo os documentos em poder da PF, Moraes teria feito alterações no contrato antes de sua assinatura.
Procurado pela reportagem, Alexandre de Moraes não se manifestou sobre as informações.
Mensagens antes da prisão
A reportagem relata que Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Dois dias antes, em 15 de novembro, mensagens mostram o banqueiro tentando marcar um encontro com Moraes. Em outro contato, no dia 14, Vorcaro teria confirmado uma reunião na residência do ministro.
As mensagens passaram a ser utilizadas pela investigação para reconstruir a relação entre o empresário e integrantes de instituições do Estado.
Reação de Paulo Gonet
As revelações também provocaram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que aparece citado nas conversas.
Segundo a Folha de S.Paulo, Gonet pediu a anulação do relatório produzido pela Polícia Federal e questionou a atuação de André Mendonça no caso. Para o procurador-geral, o ministro teria utilizado a PF para conduzir uma investigação que, em sua avaliação, extrapolaria suas atribuições.
Mendonça, por sua vez, pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja realizada uma sessão presencial do plenário da Corte para discutir as mensagens e os desdobramentos da investigação.
Crise na cúpula do Judiciário
O episódio aumentou a tensão dentro do STF e já provocou reação de setores da oposição, que passaram a defender medidas contra Moraes, incluindo pedidos de impeachment.
As mensagens também mencionam possíveis pedidos de atuação de pessoas identificadas como “Andrei e Paulo”, que, segundo a reportagem, seriam referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet.
As revelações ainda deverão ser analisadas pelas instituições responsáveis pela investigação. Até o momento, as informações divulgadas representam elementos de uma investigação e não significam, por si só, comprovação definitiva de irregularidades ou crimes por parte das pessoas citadas.
Fonte: Folha de S.Paulo.

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