O senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN) é um político discreto, de fala mansa e contundente. Ele é coordenador da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro. Pelo crivo dele passam estratégias, articulações e os detalhes mais sensíveis das propostas de governo, como ele mesmo detalhou em entrevista concedida a Revista Veja, publicada nesta sexta-feira (25).
Em agosto, por exemplo, o candidato do PL, impulsionado pela revelação das mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, defendeu em um ato na Avenida Paulista o impeachment do magistrado do Supremo Tribunal Federal.
Marinho pode vir a ser uma peça-chave nesse processo. Numa eventual vitória do Zero Um, o senador potiguar se credencia como favorito para ocupar o poderoso cargo de presidente do Congresso Nacional.
Atualmente, a abertura de um processo de impeachment depende da disposição do chefe do Legislativo — disposição que não faltaria ao senador. Em entrevista a VEJA, o ex-ministro de Jair Bolsonaro também falou do caso Dark Horse, dos embates na reta final da campanha e dos planos de governo (pouco debatidos) de Flávio Bolsonaro. A seguir os principais trechos.
Sobre Flávio Bolsonaro defender o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino e se ele se tornar presidente do Senado, em caso da vitória da chapa do PL, a reportagem perguntou: se casos isso acontecesse, qual a possibilidade dos processos serem instaurados?.
Não quero ser como Alexandre de Moraes, que acusa e julga. Quero me colocar no papel de magistrado. Se os elementos de prova me convencerem, votarei favorável ao afastamento em definitivo do ministro processado. O problema hoje é político. Não há no Senado maioria pró-impeachment, mesmo com todas as provas de crime de responsabilidade. O que há é uma avacalhação. O presidente do Senado participou recentemente de um jantar na casa do Alexandre de Moraes para promover um “namoro” com o Lula. É uma subversão do funcionamento dos Poderes”, respondeu e defendeu Rogério.
E o que garante que esse cenário vai mudar?

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