O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, trocaram acusações e apresentaram propostas em áreas como economia, segurança pública, saúde e infraestrutura durante o último debate antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro foi realizado pela TV Globo na noite de sexta-feira (23), dois dias antes da votação, marcada para domingo (25).
Mediado pelo jornalista César Tralli, o debate teve quatro blocos, três deles com temas definidos e um de tema livre. Os candidatos compararam os governos do PT e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de discutirem o endividamento das famílias, o combate ao crime organizado e os investimentos em serviços públicos.
Economia e endividamento das famílias
Flávio Bolsonaro criticou o aumento do endividamento, os juros elevados e o custo de vida. Segundo o senador, mais de 80 milhões de brasileiros estariam com contas atrasadas. Ele defendeu medidas para facilitar a renegociação de dívidas, entre elas transformar a Caixa Econômica Federal no chamado “Banco da Prosperidade”.
O candidato também prometeu reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação, além da manutenção do Bolsa Família.
Lula rebateu as críticas e citou o programa Desenrola, criado para renegociar dívidas. O presidente defendeu a política de valorização do salário mínimo e propôs um leilão de até R$ 150 bilhões para a compra de dívidas bancárias com desconto. Também defendeu o fim das apostas esportivas online, as chamadas bets, por considerar que elas prejudicam o orçamento das famílias.
Segurança pública e propostas para o setor
Na área da segurança, Flávio defendeu o endurecimento das leis penais, incluindo a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a responsabilização criminal a partir dos 14 anos em casos de estupro. Também propôs penas mais rígidas para roubos de celulares e a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas.
Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. O presidente afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta seja aprovada.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Lula questionou Flávio sobre a defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte da menina Ana Clara, de cinco anos, em 2021, em Niterói, no Rio de Janeiro. Flávio manifestou solidariedade à família e disse acreditar na inocência do policial. Ele também rebateu as acusações de Lula sobre supostas ligações políticas com milicianos.
Banco Master e acusações entre candidatos
No bloco de tema livre, Lula questionou Flávio sobre recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, destinados ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. O presidente mencionou o valor de R$ 134 milhões e cobrou explicações sobre a relação do senador com o empresário.
Flávio negou irregularidades e afirmou que os recursos foram destinados a uma produção privada, sem uso de dinheiro público ou contrapartidas relacionadas ao mandato. O senador também fez acusações contra integrantes do governo Lula, mencionando supostas tentativas de direcionar investimentos de fundos de pensão ao Banco Master. O presidente contestou as declarações.
Lula ainda questionou Flávio sobre uma disputa judicial envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, relacionada ao jogador Richarlison. O candidato do PL negou irregularidades e afirmou que o caso já havia sido decidido definitivamente pela Justiça.
Saúde, infraestrutura e ataques pessoais
Ao tratar da saúde, Flávio criticou filas para consultas, dificuldades de acesso a tratamentos e falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele defendeu melhorias na gestão e na estrutura da rede pública.
Lula destacou investimentos realizados durante seu governo e voltou a questionar a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, especialmente nas negociações para a compra de vacinas. O presidente também mencionou uma suposta reunião envolvendo Flávio e empresários durante as tratativas para aquisição da vacina Covaxin. O senador rejeitou as acusações.
Na discussão sobre infraestrutura, Flávio criticou o número de obras públicas paralisadas e prometeu ampliar investimentos em ferrovias, rodovias, concessões e acesso à internet. Lula citou projetos como a Ferrovia Transnordestina e o túnel Santos-Guarujá.
O debate também teve ataques pessoais. Em um dos momentos, Flávio fez referência à perda de um dedo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho. O senador pediu desculpas após a declaração. Nas considerações finais, Lula voltou a fazer acusações sobre supostas ligações de Flávio com milícias, negadas pelo senador, que recebeu direito de resposta. Os dois terminaram pedindo votos para o segundo turno.
Fonte: reportagem da Tribuna do Norte, publicada em 24 de outubro de 2026.

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