11 março 2013

Fatos inesperados podem levar consumidor que renegociou dívidas de volta à inadimplência



Os imprevistos podem levar consumidores que renegociam dívidas com as instituições financeiras a voltar para as estatísticas de inadimplência. Para o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, o alto índice de inadimplência pode ser explicado porque, na hora de renegociar, o consumidor e a instituição financeira não fazem uma análise adequada da capacidade de pagamento.

“O consumidor, querendo se livrar do problema, em boa-fé, pode comprometer volume de recursos acima do que seria prudente”, diz. Ele acrescenta que quando for assumir um novo financiamento ou renegociar dívida, o consumidor deve analisar quais são as despesas já existentes e deixar sobras para imprevistos.

O educador social Denubio Almeida da Silva, 27 anos, conta que ficou desempregado e a dívida no cartão de crédito que era de cerca de R$ 800 chegou a R$ 1,5 mil. Ele disse que foi ao banco e renegociou a dívida, mas mesmo assim não conseguiu pagar em dia. “Os juros foram crescendo no decorrer dos meses. Aí a coisa ficou pior. Aumentaram [os valores das] parcelas e o banco não parava de me ligar querendo fazer acordos”. Com o “nome sujo”, Silva diz que tinha dificuldades para fazer compras com pagamentos parcelados. “Todo estabelecimento em que eu ia comprar algum produto, tinha que ser à vista, pois se fosse de outra forma não era aceito”.

Depois de conseguir emprego, Silva conta que quitou a dívida, com redução dos juros. “Hoje não estou inadimplente, compro em qualquer estabelecimento com crédito, em boleto etc. Pago tudo em dia e sempre me preocupo de não ultrapassar o que eu ganho. Tudo é calculado direitinho para eu não passar por isso de novo”.

O professor tem um conselho para quem estiver na mesma situação que ele viveu. “Deixe que o banco saiba que você está preocupado com a sua dívida, que você não é um estelionatário. E nunca aceite a primeira proposta que o banco lhe fizer, pois sempre haverá uma proposta muito melhor que a primeira”.

Em janeiro deste ano, a taxa de inadimplência do crédito renegociado chegou a 22,4%, em janeiro deste ano, bem maior que o total para pessoas físicas (7,9%). Esse percentual só é menor que o do rotativo do cartão de crédito (financiamento de parte do valor total da fatura e também de saques na função crédito) que ficou em 36,6%, em janeiro deste ano. Os dados mostram a situação de pessoas que renegociaram a dívida porque já estavam inadimplentes e daquelas que quiseram mudar o contrato. O BC considera inadimplência atrasos acima de 90 dias.

Dados do BC mostram que a taxa de juros do crédito renegociado é mais alta que a taxa total para pessoas físicas (crédito com recursos livres). Enquanto a do crédito renegociado chegou a 39,3% ao ano, em janeiro, a média para pessoas físicas ficou em 34,5% ao ano. Teixeira explica que a taxa é maior porque o cliente já tem histórico de inadimplência. Portanto, o risco para o banco é maior. “Fica embutida uma taxa de risco”, explica Teixeira.

Segundo o BC, os recursos para o crédito renegociado somaram R$ 2,522 bilhões em janeiro, uma queda de 3,9% em relação a dezembro. De acordo com Teixeira, é comum diminuírem as concessões de todas as modalidades de crédito nos dois primeiros meses do ano. Ele disse que isso pode ser explicado pelo menor número de dias úteis, já que há feriados, e também porque muitas renegociações são feitas no fim do ano anterior, com o 13º salário. “No final do ano, o consumidor quer por as contas em dia e parte para a renegociação e para a contração de novos créditos. No início do ano e em fevereiro, com o carnaval, há uma letargia no mercado”.

Agência Brasil








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