13 janeiro 2026

Voto distrital misto volta ao debate e pode ser adotado em 2030, diz presidente da Câmara

De acordo com a Gazeta do Povo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a colocar em pauta a discussão sobre a adoção do voto distrital misto no Brasil.

O modelo, segundo defensores, pode representar uma mudança profunda na forma como elegemos deputados federais, deputados estaduais e vereadores.

A proposta prevê que o eleitor passe a votar duas vezes:
1️⃣ para escolher um representante direto de seu distrito, ou seja, alguém ligado à sua região,
2️⃣ e para definir um representante de sua preferência partidária, fortalecendo siglas com atuação consolidada.

📌 Por que mudar o sistema?

Segundo Motta, o voto distrital misto permitiria:

  • Fortalecer parlamentares com base eleitoral real, seja territorial ou partidária;

  • Estimular o corpo a corpo e a prestação de contas;

  • Reduzir a dependência de campanhas milionárias e o risco de financiamento ilegal.

Motta afirma que, como já venceu o prazo para alterar regras das eleições de 2026, a mudança agora poderia ser aprovada com foco no pleito de 2030, evitando pressões de parlamentares preocupados em preservar o modelo no qual foram eleitos.

🧩 Articulação dentro do Congresso

A discussão tem mobilizado nomes influentes do Centrão, como:

  • Gilberto Kassab (PSD)

  • Marcos Pereira (Republicanos)

  • Antônio Rueda (União Brasil)

Esses partidos têm forte presença regional e avaliam que a mudança pode fortalecer legendas, reduzindo o fenômeno dos “puxadores de voto” — candidatos que vencem com votação expressiva e garantem a eleição de colegas com poucos votos.

O relator da proposta na Câmara é o deputado Domingos Neto (PSD-CE), que defende que o modelo “valoriza quem tem trabalho e base política”, acima de influenciadores digitais ou campanhas caras.

⚙️ Como funciona hoje

O sistema atual é o proporcional de lista aberta. O eleitor vota em um candidato ou partido, e:

  • Todos os votos são somados à legenda;

  • Quanto mais votos o partido recebe, mais vagas ele conquista;

  • As cadeiras são preenchidas pelos candidatos mais votados do partido;

  • Quando um candidato ultrapassa o número de votos necessários, os chamados excedentes ajudam a eleger outros nomes da mesma sigla.

Por isso, figuras de grande votação acabam puxando nomes menos conhecidos para o Parlamento — fenômeno que o voto distrital misto busca limitar.

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