22 abril 2026

CPI do Banco Master perde força no Congresso e decisão de Kassio pode barrar investigação

Ministro Kassio Nunes Marques
em sessão no TSE - Pedro Ladeira -
30.jun.23/Folhapress
Com foco nas eleições, parlamentares recuam, enquanto ministro do STF sinaliza evitar interferência no Legislativo

Com base na Folha de São Paulo, a proposta de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Banco Master perdeu força no Congresso Nacional diante da proximidade das eleições de outubro. O cenário reduz as chances de o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder decisão obrigando a instalação da comissão.

O pedido de abertura da CPI foi levado ao STF por senadores de oposição, e está sob relatoria de Kassio. Apesar de precedentes que autorizam o Judiciário a determinar a criação de CPIs em casos de omissão do Legislativo — como ocorreu na CPI da Covid, em 2021 —, o ministro tem sinalizado posição contrária a esse tipo de intervenção.

Nos bastidores, parlamentares já demonstram menor interesse na comissão, temendo que ela seja esvaziada em razão da prioridade dada às articulações eleitorais. A avaliação é de que a CPI poderia não ter efetividade neste momento político.

Além disso, Kassio enfrenta um cenário delicado. A eventual criação da CPI colocaria o ministro em evidência, especialmente após vir à tona que uma empresa de consultoria tributária ligada ao seu filho recebeu cerca de R$ 6,6 milhões do Banco Master.

O ministro afirmou não ter relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, figura central nas investigações, mas não comentou diretamente o contrato envolvendo seu familiar.

O caso também envolve outros ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que teriam ligações indiretas com o banqueiro, aumentando a pressão sobre a Corte.

Dentro do STF, há o entendimento de que o Judiciário deve agir com cautela para não interferir em atribuições do Legislativo. Essa posição reforça a tendência de Kassio de adotar uma postura mais contida no caso.

Ao mesmo tempo, há preocupação com a repercussão pública. Enterrar a CPI pode gerar críticas e a percepção de tentativa de proteção a integrantes do Judiciário.

Com o Congresso voltado para as eleições e o STF sob pressão, o futuro da CPI do Banco Master permanece incerto. A decisão de Kassio Nunes Marques será determinante para o desfecho do caso e pode influenciar tanto o ambiente político quanto a imagem das instituições envolvidas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário