Estimativa de alíquota elevada sobre o consumo aumenta a insegurança no setor produtivo. Empresários aguardam definições sobre as novas regras tributárias antes de avançar com investimentos.
A reforma tributária brasileira continua provocando debates e apreensão no setor empresarial. A perspectiva de que o futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) alcance aproximadamente 28% tem levantado questionamentos sobre os efeitos da nova estrutura de impostos na economia, na competitividade das empresas e na geração de empregos.
A estimativa, apresentada pelo Ministério da Fazenda e destacada em artigo do jornalista Alexandre Garcia, publicado pela Gazeta do Povo, considera a possibilidade de manutenção das regras sem alterações no Senado.
O percentual chama atenção porque poderá representar uma carga elevada sobre o consumo, aumentando a preocupação de empresários de diferentes portes, desde pequenos empreendedores até grandes grupos econômicos.
Incerteza tributária pode adiar investimentos
Um dos principais problemas apontados é a falta de previsibilidade. Com as mudanças na legislação tributária ainda em processo de implementação e regulamentação, empresas precisam avaliar como ficará sua carga de impostos e quais serão os impactos sobre custos, preços e margens de lucro.
Segundo a análise de Alexandre Garcia, a insegurança em relação às futuras regras já estaria contribuindo para deixar investimentos paralisados, enquanto empresários aguardam maior clareza sobre o funcionamento do novo sistema.
A preocupação não se limita ao valor dos tributos. A complexidade das mudanças e a necessidade de adaptação também podem representar desafios para quem produz, comercializa e presta serviços no país.
Paraguai aparece como alternativa para empresas brasileiras
Outro ponto levantado na análise é a concorrência com países vizinhos, especialmente o Paraguai.
Com uma estrutura tributária considerada mais favorável em determinados setores, o país tem atraído o interesse de empresários brasileiros que buscam reduzir custos e encontrar melhores condições para desenvolver suas atividades.
Caso o Brasil mantenha uma tributação elevada sobre o consumo, o desafio de preservar a competitividade das empresas nacionais poderá se tornar ainda maior.
A possibilidade de deslocamento de investimentos para outros países preocupa especialmente pela consequência que isso pode trazer para a economia brasileira: menos expansão empresarial, oportunidades de trabalho e geração de renda.
Debate sobre gastos públicos e responsabilidade fiscal
A discussão também alcança a política econômica do governo federal. O controle das despesas públicas, o tamanho da dívida e a necessidade de equilíbrio das contas estão entre os fatores que influenciam as expectativas de empresários e investidores.
Na avaliação apresentada por Alexandre Garcia, a resistência do governo em promover cortes de gastos contribui para aumentar a preocupação de quem paga impostos e precisa planejar investimentos de longo prazo.
O debate sobre a reforma tributária, portanto, não envolve apenas a substituição de impostos. Também passa pela discussão sobre o tamanho do Estado, a eficiência dos gastos públicos e o peso da arrecadação sobre a atividade econômica.
O desafio será simplificar sem aumentar o peso sobre quem produz
A reforma tributária foi apresentada com a proposta de simplificar o sistema de cobrança de impostos e reduzir a complexidade que historicamente afeta empresas brasileiras.
Entretanto, a perspectiva de uma alíquota próxima de 28% coloca em evidência uma questão importante: a simplificação do sistema será suficiente se o peso dos tributos continuar elevado?
Para empresários, trabalhadores e consumidores, o resultado dessa mudança terá consequências diretas. Impostos incidentes sobre o consumo podem influenciar os preços de produtos e serviços, afetando o orçamento das famílias.
O grande desafio será construir um sistema tributário que ofereça segurança jurídica, previsibilidade e condições para o crescimento econômico, sem comprometer a competitividade de quem empreende e produz no Brasil.
No fim das contas, a discussão vai além dos números apresentados pelo governo: o que está em jogo é o ambiente de negócios, a capacidade de investimento e o futuro da economia brasileira.
Fonte: Gazeta do Povo – artigo de Alexandre Garcia, publicado em 3 de novembro de 2026. Texto reescrito e adaptado pelo Blog de Currais Novos.

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