Em artigo publicado na Gazeta do Povo, a advogada e pesquisadora Zizi Martins analisa a permanência de práticas políticas tradicionais no Nordeste e afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria adaptado o antigo coronelismo para os tempos atuais.
Segundo a autora, o coronelismo histórico era baseado no controle do voto, na troca de favores por apoio político e na dependência econômica da população. Durante décadas, grandes lideranças locais dominaram regiões inteiras por meio da intimidação, do clientelismo e da fragilidade do acesso à educação.
O artigo explica que, embora o voto secreto e a modernização do país tenham enfraquecido esse sistema, ele não foi extinto. Ao contrário, teria se transformado no chamado “neocoronelismo”, no qual a coerção direta deu lugar ao uso da máquina pública, dos recursos estatais e de programas sociais como instrumentos de influência política.
De acordo com Zizi Martins, no Nordeste esse modelo se consolidou a partir dos anos 2000, com a expansão da hegemonia petista em diversos estados. Para a autora, a ampliação dos programas de transferência de renda não foi acompanhada de investimentos suficientes em educação, geração de emprego e autonomia econômica da população.
O texto destaca que muitos estados governados há anos pelo PT continuam apresentando baixos índices educacionais, altos níveis de analfabetismo funcional e dificuldades na aprendizagem básica. Essa realidade, segundo a análise, manteria parte da população vulnerável ao discurso paternalista e à dependência do poder público.
Outro ponto abordado é a segurança pública. O artigo afirma que, durante o período de domínio político petista, houve crescimento da violência e da atuação de facções criminosas em várias regiões do Nordeste, o que reforçaria a fragilidade do Estado diante dos problemas sociais.
A autora também aponta o surgimento dos chamados “coronéis modernos”, lideranças regionais que concentram poder, controlam estruturas partidárias e atuam como intermediários entre os municípios e o governo federal, reproduzindo antigas práticas sob novas formas.
Para Zizi Martins, o combate a esse ciclo exige uma mudança profunda de mentalidade, com foco em educação de qualidade, liberdade econômica, segurança pública eficiente e fortalecimento da cidadania. Segundo ela, apenas com autonomia real o eleitor poderá se libertar da política baseada em favores e dependência.
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