Enquanto Fernando Haddad afirma que presidente sempre foi contra o imposto sobre compras internacionais, parlamentares potiguares da oposição classificam decisão como “demagogia eleitoral”.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”, provocou nova disputa política entre governo e oposição. Enquanto o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que Lula “sempre foi contra” a cobrança, parlamentares da bancada oposicionista do Rio Grande do Norte acusaram o governo de agir por interesse eleitoral e tentar reverter o desgaste causado pela medida.
A declaração de Haddad foi dada durante um encontro realizado na Casa de Portugal, em São Paulo. Segundo o petista, o presidente só sancionou a cobrança do imposto em 2024 porque houve unanimidade no Congresso Nacional e entre governadores.
“Todo o Congresso Nacional votou a favor e a condição do presidente Lula sancionar era que fosse unânime”, afirmou Haddad. Segundo ele, após a aprovação da medida, os setores que defenderam a taxação deixaram o governo sozinho no debate público.
Na terça-feira (12), Lula assinou uma Medida Provisória zerando o imposto federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50. A cobrança havia começado em agosto de 2024 e gerou forte reação popular, principalmente entre consumidores que realizam compras em plataformas internacionais.
Para Haddad, a retirada da taxa representa um retorno à posição original do presidente. “A única pessoa que foi responsável, do ponto de vista do interesse público, foi o presidente da República”, declarou.
A oposição, no entanto, reagiu com críticas duras à decisão do governo federal.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que o governo defendia a cobrança “com unhas e dentes” desde 2024 e acusou Lula de usar o recuo como estratégia eleitoral.
“Brasileiro não precisa de demagogia eleitoral, precisa de menos imposto, menos Custo Brasil e mais competitividade”, declarou o senador.
Marinho também criticou a política econômica do governo federal e ironizou o desempenho do ministro da Fazenda. “Chega de ter um ministro da Fazenda que se tornou o melhor ministro da história do Paraguai”, afirmou.
O senador ainda acusou o governo de aumentar gastos públicos para tentar reduzir a rejeição popular. Segundo ele, o PT estaria mais preocupado em “se perpetuar no poder” do que resolver os problemas econômicos do país.
Já o deputado federal General Girão também criticou a decisão de Lula e afirmou que o governo tenta “apagar a realidade”.
“A máquina de manipulação entrou em campo para tentar apagar a realidade. Lula tenta agora vender como bondade o recuo sobre uma taxa que ele mesmo articulou contra o povo brasileiro”, disse o parlamentar.
A chamada “taxa das blusinhas” foi criada após aprovação do Congresso Nacional e passou a incidir sobre compras internacionais de pequeno valor realizadas em sites estrangeiros. A medida foi defendida por setores da indústria e do comércio nacional, que alegavam concorrência desleal com produtos importados.
No entanto, a cobrança provocou forte repercussão negativa nas redes sociais e gerou desgaste político para o governo federal, principalmente entre consumidores de baixa renda e jovens que utilizam plataformas internacionais de compras.
A revogação parcial do imposto ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre o governo e à antecipação das articulações para as eleições de 2026.
Com a retirada do imposto federal sobre compras de até US$ 50, o debate sobre tributação, comércio eletrônico e competitividade econômica deve continuar no Congresso Nacional. Enquanto o governo tenta reduzir o desgaste político causado pela medida, a oposição promete manter o tema em evidência nos próximos meses.

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